terça-feira, 6 de julho de 2010





Ninguém acredita, mas eu sou uma pessoa muito sozinha...
Não pense que isso é ruim não, porque ruim é não sentir nada, a solidão faz parte.

Caio F. ABreu

sábado, 3 de julho de 2010

Retrato



Retrato de Cecília Meireles interpretado por Sueli Costa. Lindo de se ouvir!

Retrato


Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida a minha face?"

Cecília Meireles

terça-feira, 29 de junho de 2010

Coisa simples é lindo!



Tudo que parece meio bobo é sempre muito bonito, porque não tem complicação. Coisa simples é lindo.

Caio F. Abreu

sábado, 15 de maio de 2010


Quando partiu, levava as mãos no bolso, a cabeça erguida. Não olhava para trás, porque olhar para trás era uma maneira de ficar num pedaço qualquer para partir incompleto, ficado em meio para trás. Não olhava, pois, e, pois não ficava. Completo, partiu...
(Caio F Abreu)

segunda-feira, 8 de março de 2010


É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo.

Clarice Lispector

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Uma parte de mim é todo mundo
Outra parte é ninguém, fundo sem fundo.
Uma parte de mim é multidão
Outra parte estranheza e solidão.

Uma parte de mim pesa, pondera
Outra parte delira.
Uma parte de mim almoça e janta
Outra parte se espanta.

Uma parte de mim é permanente
Outra parte se sabe de repente.
Uma parte de mim é só vertigem
Outra parte linguagem.

Traduzir uma parte na outra parte
Que é uma questão de vida e morte
Será arte?

(Ferreira Gullar)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

As vezes ouço passar o vento;
 e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido.
Fernando Pessoa

sábado, 18 de julho de 2009

Outros Sonhos



Sonhei que o fogo gelou
Sonhei que a neve fervia
Sonhei que ela corava
Quando me via
Sonhei que ao meio-dia
Havia intenso luar
E o povo se embevecia
Se empetecava João
Se impiriquitava Maria
Doentes do coração
Dançavam na enfermaria
E a beleza não fenecia

Belo e sereno era o som
Que lá no morro se ouvia
Eu sei que o sonho era bom
Porque ela sorria
Até quando chovia
Guris inertes no chão
Falavam de astronomia
E me jurava o diabo
Que Deus existia
De mão em mão o ladrão
Relógios distribuía
E a polícia já não batia
De noite raiava o sol
Que todo mundo aplaudia
Maconha só se comprava
Na tabacaria
Drogas na drogaria
Um passarinho espanhol
Cantava esta melodia
E com sotaque esta letra
De sua autoria
Sonhei que o fogo gelou
Sonhei que a neve fervia
E por sonhar o impossível, ai
Sonhei que tu me querias.

Soñé que el fuego heló
Soñé que la nieve ardia
Y por soñar lo impossible, ay, ay
Soñe que tu me querias.

Chico Buarque

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Sorri =)



E ao notar que tu sorris, todo mundo irá supor que és feliz!

C. Chaplin & Tuner G. Parsons
Versão: João de Barro (Braguinha)
Gravação: Djavan "Sorri."

terça-feira, 28 de abril de 2009

As Escolhas de uma Vida

Algumas pessoas constantemente mudam de vida com tanta facilidade e desapego, chego até a me surpreender. Para outras, no entanto, mudar é um trabalho tão árduo, torna-se sinônimo de insegurança, medo, infindáveis questionamentos por não saber se é capaz de 'segurar a barra' de todas as consequências e surpresas que acompanham a mudança. Será que isso é característico de pessoas frágeis? Eu acho que não! Decidir mudar, não é fácil, e é por isso que o mundo está repleto de pessoas infelizes e frustradas no campo emocional, profissional, familiar e tantos outros, exatamente porque optaram por não mudar, mesmo quando era preciso, não tentar parecia mais seguro.
Uma amiga, queridíssima, me enviou este texto escrito pela escritora Martha Medeiros, cujo o tema fala de nossas escolhas e decisões de uma forma simplificada e inteligente. Gostaria de compartilhar com vocês.

A certa altura do filme Crimes e Pecados, o personagem interpretado por Woody Allen diz: "Nós somos a soma das nossas decisões". Essa frase acomodou-se na minha massa cinzenta e de lá nunca mais saiu. Compartilho do ceticismo de Allen: a gente é o que a gente escolhe ser, o destino pouco tem a ver com isso. Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção, estamos descartando outra, e de opção em opção vamos tecendo essa teia que se convencionou chamar "minha vida". Não é tarefa fácil. No momento em que se escolhe ser médico, se está abrindo mão de ser piloto de avião. Ao optar pela vida de atriz, será quase impossível conciliar com a arquitetura. Se é a psicologia que se almeja, pouco tempo sobrará para fazer o curso de odontologia. Não se pode ter tudo. No amor, a mesma coisa: namora-se um, outro, e mais outro, num excitante vaivém de romances. Até que chega um momento em que é preciso decidir entre passar o resto da vida sem compromisso formal com alguém, apenas vivenciando amores e deixando-os ir embora quando se findam, ou casar, e através do casamento fundar uma microempresa, com direito a casa própria, orçamento doméstico e responsabilidades. As duas opções têm seus prós e contras: viver sem laços e viver com laços. Escolha. Morar em Londres ou numa chácara? Ter filhos ou não? Posar nua ou ralar atrás de um balcão? Correr de kart ou entrar para um convento? Fumar e beber até cair ou virar vegetariano e budista? Todas as alternativas são válidas, mas há um preço a pagar por elas. Quem dera pudéssemos ser uma pessoa diferente a cada 6 meses, ser casados de segunda a sexta e solteiros nos finais de semana, ter filhos quando se está bem-disposto e não tê-los quando se está cansado, viver de poesia e dormir em hotel 5 estrelas. No way*. Por isso é tão importante o auto-conhecimento. Por isso é necessário ler muito, ouvir os outros, estagiar em várias tribos, prestar atenção ao que acontece em volta e não cultivar preconceitos. Nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, elas têm que refletir o que a gente é. Lógico que se deve reavaliar decisões e trocar de caminho: ninguém é o mesmo para sempre. Mas que essas mudanças de rota venham para acrescentar, e não para anular a vivência do caminho anteriormente percorrido. A estrada é longa e o tempo é curto. Quanto menos a gente errar, melhor.

Martha Medeiros

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Não se acostume...


Não se acostume com o que não o faz feliz,
Revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue...

Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!

Fernando Pessoa